6.07.2009

Bugs I Performance

Inauguração
ASVS - Arquitectos Associados Lda.

Uma terrorista apaixonada, um gigolo multiusos e um insecto caem de pára-quedas numa festa diurna. Desses encontros e desencontros surgem parasitismos e adições. Os três lutam pelo protagonismo mas deixam o lugar para os mestres de cerimónias e para os verdadeiros convidados.

criação
Miguel Cabral

intérpretes
Ana Margarida Carvalho
Miguel Rosas
André Figueira


6.05.2009



Estreia 14 Março 09
Fábrica Social I Fundação José Rodrigues - Porto

Duração aproximada [50 min.]
M/16

Sinopse
Esta peça fala sobre os negócios do amor. Uma mulher e um homem ameaçam a vida privada de uma família, operadores de uma máquina perigosa.
Granada expõe as bizarras relações de poder entre duas pessoas, traçando o mapa de um universo disfuncional.

Os afectos foram transformados em transacções comerciais.
As personagens procuram qualquer coisa de heróico num quotidiano sem grandes horizontes. Vivem na doença do anonimato e têm dificuldade em suportar a humilhação de serem gente perdida na multidão. Vivem o estatuto social que lhes calhou como coisa insuportável.
Ela, uma terrorista apaixonada. Ele, um prostituto sonhador. Os dois, no limite da precariedade, envolvem-se num crime sexual.


Ficha Técnica e Artística

Texto e direcção_Miguel Cabral
Interpretação_Ana Margarida Carvalho,Miguel Rosas e André Figueira
Música_Trei Pastori (www.myspace.com/treipastori)

Produção executiva_Joana Meneses Fernandes





Sobre o espectáculo

Miguel Cabral, em conformidade com o que sucedeu nos seus projectos teatrais anteriores, propõe um processo de trabalho sistemático que se alicerça na criação de um texto dramático original, de acordo com as suas inquietações artísticas que são produto de um dado momento social.

Este momento social faz-se de fragmentos que em conjunto criam um produto artístico de relevância:

1. Mais do que os temas visados, a forma de abordagem dos mesmos remete para um contexto de crise de valores, onde as fronteiras entre o bem e o mal se diluem, não sendo possível encontrar a figura do bom e do vilão, fornecendo ao espectador um desafio de relativizar posicionamentos e papéis sociais tradicionais à dramaturgia.

2. Abordagem satírica de um contexto económico e social de crise (precariedade laboral [recibos verdes], desemprego, estrutura governamental burocrática) que avança soluções que se pautam pela relativização de opções politicamente correctas e que culminam numa lógica de absurdo.

3. Enfoque crítico nas formas actuais de mobilização social que induz o espectador a uma dúvida metódica que questiona os ideais pelos quais se move.

4. Perspectiva do fenómeno de solidão acompanhada, característico do meio urbano, através de situações em que o diálogo se faz de dois monólogos que mostram mundos subjectivos distintos, independentes de realidades objectivas partilhadas.

5. A temática da insegurança é incluída de forma constante e criativa mostrando, através do absurdo, o quanto contextos vulneráveis podem conduzir a situações extremas. Vive-se em Granada a ficção dentro da ficção, na medida em que Ele e Ela arquitectam planos que reflectem posturas de segurança que na realidade, mesmo a dramatúrgica, não os caracterizam.

6. A criação do espectáculo Granada sustenta-se num processo de trabalho que privilegia a relação directa entre dramaturgo/actores - work in progress. Neste sentido, as propostas dos actores foram fulcrais para a apropriação e reinvenção do texto original.O texto é considerado como o fim e não como o princípio.

7. A sequência narrativa da peça propõe uma abordagem alternativa à linear princípio, meio e conclusão, avançando com cenas que se fazem de pedaços fragmentados (uso de flashback) marcados por uma temporalidade não linear. Esta abordagem adequa-se a uma realidade cada vez mais marcada por traços pós-modernos, como aquela em que vivemos.

8. A aposta na interdisciplinaridade de linguagens artísticas está patente na forma como as sonoridades electrónicas dos Trei Pastori entram em Granada, implicando um contacto com outros agentes do campo artístico, que não os directamente envolvidos no presente projecto.

09. A construção narrativa transporta consigo um conceito de cenário que vai para além do espaço físico e leva o espectador ao lugar do espaço contado. O discurso detalhado e irónico das personagens conduz o espectador às situações narradas, desafiando a sua imaginação.

10. A configuração do cenário e do próprio espaço físico escolhido para a este espectáculo criam uma atmosfera intimista que gera um forte potencial de proximidade em relação ao público, fazendo-o sentir que está a invadir um espaço privado. Tornando-o espectador-cúmplice através de uma sucessão de momentos de emoção e análise que o levam a tomar consciência do seu próprio papel.

12. A peça dota-se de forte potencial atractivo para um perfil de público que não sendo generalista constitui-se dos agentes que maior receptividade demonstram para a esfera cultural (público urbano e instruído, ainda que com uma incidência mais significativa em jovens e jovens adultos em início de construção da sua independência).

5.14.2009


Ele
Eu não vou viver com a culpa e com o medo.
Ela
É de ideais que se trata, meu amor.

fotografias.liliana fernandes