miguel cabral

11.27.2009




















silva surfer by helena nogueira silva
http://memoryismaterial.blogspot.com/
santa catarina. portugal vizinha. londres
luz eléctrica
the girl next door
invensões
kitchenettes
saudações
confissões
e o nosso sorriso estampado numa nuvem

beijo
Don`t Ask, Don`t Tell

O meu irmão gémeo enfia-se em mim nas manhãs de domingo. Gruda-se ao meu corpo meio adormecido como se estivéssemos ainda dentro da placenta a brincar. Sintonizamos as respirações e eu deixo-o cavalgar sobre mim como um herói. Não digo nada. Observo a fotografia da sua noiva na mesa-de-cabeceira e penso no mar.

Frames que podem servir como referência para a relação de Marka e Vujik - o vampiro de Belgrado - e a sua dependência gustativa pela fotografia... tinta preta, plástico e sais de prata.

11.24.2009

two


Nick Drake - Pink Moon

obrigado francisco

Mistério

Nem sempre o Mistério
está fora do alcance da mão, como
o país estrangeiro. Por vezes ele viaja para cá,
enconsta-se às decisões materiais de
um dia vulgar;
e surge, súbita e absurdamente,
no meio de uma acção do quotidiano.
Descuidados, nessa altura, chamamos ao mistério erro,
e rapidamente o eliminamos.

Gonçalo. M. Tavares

11.15.2009

Ana Deus @ Extéril event DemocratizAcções



No som da máquina de lavar roupa, no som da lavagem da louça, touça para curtir consigo e dizer adeus,
rebento o airpack, desfaço e refaço o origami, levanto-me do chão em relva, visto o casaco da tanga, ganga gasta. Agora apanho os meus pés e digo: para o teatro, o tal, ou qualquer um. Quero ir ver os actores.

Tudo em mim sempre esteve normal. Não me reconheço. Já não olho os prédios e o meu pescoço com a mesma  crueza. Não sinto o abandono, o osso ruído.  Sinto os meus lábios, dados aos outros com vapor.
A dor cessou. Marcarei o meu corpo contigo, com todos os sinais necessários para me lembrar sempre das descidas, das caídas e das movidas sem retorno.


Cassavetes dizia que uma boa história começa quando perdes o caminho para casa. Tive de fazer certas coisas sozinho. Abismos só de mim e de tanta gente, e que mistérios tão vulgares. Sentir a vida nas pontas dos dedos e na planta dos pés. Mais tarde ou mais cedo, temos de pôr o nosso animal a passear.

Que o pão e o tino nunca nos faltem
para conversarmos
para celebrarmos
sem dogmas e opressões
Há razões fortes a desenhar encontros
Há a psicologia das cores e das sombras
O papel vegetal, vincal, ornamental
e os valores feudais aprendidos e esquecidos
Um ritual-comunhão de todos os bens
saboreado a várias vozes numa floresta de enganos
E se a chuva caísse agora
E se a chuva
Era a estufa no meu coração a explodir?
Sem me iludir
Depois da correria lá fora, e embora admitir
Fui chuva. Fui dançante.